Um jornalista da Globo surpreende ao denunciar abusos, privilégios e escândalos envolvendo ministros do STF. Críticas diretas a Moraes, Toffoli e à falta de código de conduta expõem a crise institucional que a TV não mostra.
Quando até a Globo quebra o roteiro
O que parecia impossível aconteceu. Um jornalista da própria Globo resolveu dizer, em rede aberta, aquilo que milhões de brasileiros denunciam há anos — e que a grande imprensa sempre tratou de esconder, relativizar ou simplesmente ignorar. O tom não foi de cautela. Foi de indignação.
Segundo o jornalista, o Supremo Tribunal Federal se transformou em um espaço onde regras básicas de ética deixaram de existir. Ministros que deveriam zelar pela moralidade pública passaram a agir como se estivessem acima de qualquer limite, institucional ou moral.
A reação nas redes foi imediata: espanto, incredulidade e uma pergunta inevitável — o que mudou?

Código de conduta: o mínimo virou ameaça
O estopim da crise interna no STF, segundo a análise apresentada, foi a tentativa do ministro Edson Fachin de discutir um Código de Conduta mais rigoroso para a Corte. Algo comum em democracias maduras, mas tratado no Brasil como se fosse uma afronta.
O jornalista destacou que, em países sérios, ministros pagam suas próprias viagens, não aceitam favores, não utilizam jatinhos de empresários e não se misturam com interesses privados. Aqui, no entanto, isso virou prática normalizada.
A crítica foi direta: quem recebe dinheiro público não pode viver como agente privado.
Jatinhos, favores e a promiscuidade institucional
Na avaliação do comentarista, aceitar viagens bancadas por empresários, participar de eventos patrocinados e manter relações nebulosas com figuras investigadas não é apenas antiético — é escandaloso.
Ele comparou a situação ao jornalismo: um repórter não pode aceitar favores de quem cobre. No STF, porém, isso virou regra informal. E quem questiona vira inimigo do sistema.
O recado foi claro: “paguem suas contas”.
O caso abafado que ninguém quer tocar
Outro ponto explosivo citado foi o contrato milionário envolvendo o escritório de advocacia ligado à esposa de Alexandre de Moraes e o Banco Master. Segundo o jornalista, o assunto simplesmente desapareceu após decisão de colocar o caso em segredo de Justiça.
A crítica é dura: em qualquer país sério, esse episódio colocaria em risco o cargo do ministro. No Brasil, foi varrido para debaixo do tapete.
Para ele, não há explicação plausível para um contrato genérico, milionário, envolvendo uma instituição financeira em colapso — e a completa ausência de investigação aprofundada.
STF em crise interna e medo da verdade
Segundo a análise, a tentativa de impor limites mínimos de conduta gerou revolta dentro do próprio Supremo. O argumento usado por ministros contrários às mudanças é revelador: discutir ética “fortalece o bolsonarismo”.
Ou seja, a decência virou ameaça política.
Na prática, qualquer iniciativa para moralizar o STF é sabotada sob a justificativa de narrativa política. O resultado é um Judiciário fechado em si mesmo, blindado, sem autocrítica e distante da realidade do país.

Quando a verdade escapa do controle
O mais simbólico não é apenas o conteúdo da fala, mas quem falou. Um jornalista da Globo dizendo aquilo que sempre foi tratado como tabu expõe uma rachadura no discurso único da grande mídia.
A pergunta que fica não é se ele exagerou — é por que isso demorou tanto a aparecer.
Quando até a Globo deixa escapar a verdade, talvez o problema seja maior do que imaginavam controlar.
🧾 Nota da Redação
Esta coluna reproduz falas, análises e interpretações exclusivamente atribuídas ao jornalista e Gustavo Gayer citado no áudio que acompanha a matéria.
A coluna não faz afirmações próprias sobre crimes, irregularidades ou responsabilidades.
O espaço permanece aberto para manifestação de todos os citados.
