Exército Brasileiro avalia a aquisição de drones de ataque, mas especialistas alertam para entraves doutrinários, industriais e orçamentários que limitam o uso militar desses sistemas no Brasil.
O Exército Brasileiro deu mais um passo no debate sobre a modernização de suas capacidades ao avançar na avaliação de drones de ataque para uso militar. A iniciativa ocorre em um momento de intensas transformações no cenário global de defesa, no qual veículos aéreos não tripulados vêm assumindo papel central em conflitos recentes. Apesar do avanço institucional, especialistas apontam que o Brasil ainda enfrenta obstáculos estruturais, doutrinários e industriais que dificultam a incorporação plena dessa tecnologia.

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Consultas públicas e novos sistemas no radar militar
A Força Terrestre abriu consultas públicas com o objetivo de identificar empresas capazes de fornecer sistemas de drones com capacidade ofensiva. O projeto avaliado contempla dois modelos principais: os Sistemas de Munições Remotamente Pilotadas (SMRP), conhecidos popularmente como drones kamikaze, e os Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas (SARP), que podem ser reutilizados e empregados em diferentes tipos de missão.
Esses equipamentos já são amplamente utilizados em conflitos internacionais, com destaque para guerras recentes no Leste Europeu e no Oriente Médio. Nesses cenários, os drones se consolidaram como instrumentos de vigilância, ataque de precisão e dissuasão estratégica, alterando profundamente a lógica do campo de batalha.

Uso ainda restrito e foco no monitoramento
No Brasil, no entanto, o emprego de drones pelas Forças Armadas ainda é predominantemente voltado para atividades de monitoramento, reconhecimento e vigilância de fronteiras. Segundo analistas do setor militar, essa limitação não se deve à falta de conhecimento técnico, mas a uma combinação de fatores institucionais e históricos.
A doutrina militar brasileira, tradicionalmente baseada em meios considerados “clássicos”, como blindados, artilharia e aviação tripulada, tende a adotar novas tecnologias de forma gradual. Esse conservadorismo operacional, embora compreensível do ponto de vista institucional, acaba retardando a absorção de soluções já consolidadas em outros países.

Orçamento e indústria nacional como entraves
Outro ponto central levantado por especialistas é o orçamento. A incorporação efetiva de drones armados exige investimentos contínuos, não apenas na compra dos equipamentos, mas também em treinamento, manutenção, integração de sistemas e atualização tecnológica. Em um cenário de restrições fiscais, esses investimentos competem com outras prioridades das Forças Armadas.
Além disso, há dúvidas sobre a capacidade da indústria nacional de defesa de sustentar, a longo prazo, a produção e o fornecimento desses sistemas. Sem contratos estáveis e políticas de aquisição robustas, empresas do setor enfrentam dificuldades para manter linhas de produção e desenvolver tecnologias próprias, o que pode aumentar a dependência externa.
Drones como dissuasão, não solução isolada
Especialistas destacam que a simples aquisição de drones de ataque não é suficiente para elevar o poder militar do país. Para que esses sistemas tenham impacto real, é necessário que estejam inseridos em uma estratégia mais ampla de defesa, com mudança de mentalidade, revisão doutrinária e planejamento de longo prazo.
Os drones podem atuar como ferramentas de dissuasão, ampliando a capacidade de resposta do Estado e reduzindo riscos para tropas em solo. No entanto, seu uso isolado, sem integração com inteligência, comando e controle, tende a produzir resultados limitados.
Desafios estratégicos e o futuro da defesa brasileira
O debate sobre drones armados no Brasil ocorre em um contexto geopolítico cada vez mais complexo, no qual tecnologia, soberania e segurança nacional caminham lado a lado. A decisão de avançar nesse campo envolve não apenas critérios técnicos, mas também escolhas políticas e estratégicas.
A avaliação conduzida pelo Exército sinaliza uma abertura para a modernização, mas os entraves apontados por especialistas indicam que o caminho ainda é longo. Sem uma política consistente de defesa, que una investimento, indústria e doutrina, o país corre o risco de permanecer em posição secundária em um cenário internacional cada vez mais tecnológico.
Enquanto isso, o tema segue em debate dentro das Forças Armadas e entre analistas, reforçando a necessidade de planejamento estratégico para que o Brasil possa acompanhar as transformações da guerra moderna sem comprometer sua autonomia e segurança.
📝 Nota da Redação
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