A imprensa que antes aplaudia abusos do STF agora critica Alexandre de Moraes. Entenda o jogo político, o caso Banco Master e por que o sistema parece descartar seu antigo aliado.
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Quando a imprensa deixou de ser imprensa
Durante anos, a grande imprensa brasileira construiu a imagem de Alexandre de Moraes como uma espécie de muralha intransponível da democracia. Segundo a análise apresentada pelo jornalista no vídeo que acompanha esta coluna, esse papel foi sustentado à base de silêncio, omissão e endosso a práticas que violaram princípios básicos do Estado de Direito.
Medidas excepcionais, decisões monocráticas, censura prévia, perseguições políticas e interpretações elásticas da Constituição passaram a ser tratadas como necessárias, aceitáveis — e até virtuosas. Tudo era justificado por um inimigo comum: Jair Bolsonaro, rotulado como ameaça absoluta ao regime democrático.

Constituição rasgada, aplauso garantido
De acordo com o jornalista, quando a Constituição foi rasgada, a imprensa não apenas aplaudiu como ajudou a normalizar o rasgo. Abandonou perguntas, dispensou o contraditório e substituiu fatos por narrativas. O debate público deu lugar à militância travestida de jornalismo.
Nesse período, ilegalidades cometidas por ministros do Supremo Tribunal Federal foram tratadas como atos redentores. A democracia, paradoxalmente, passou a ser “salva” por meios autoritários — e quem ousasse questionar era automaticamente enquadrado como cúmplice do mal.
O primeiro ato acabou — começa o constrangimento
Segundo a avaliação apresentada, o primeiro ato dessa encenação terminou com a derrota eleitoral de Bolsonaro. A partir daí, parte da imprensa passou a ensaiar um movimento curioso: reconhecer excessos, mas sem jamais assumir responsabilidade.
No chamado “segundo ato”, surgiram pedidos por autocontenção do STF. Não por respeito à Constituição, mas porque o inimigo já havia sido neutralizado. A lógica parecia simples: agora que o objetivo foi alcançado, talvez seja hora de “voltar às regras”.
O escândalo que quebrou o script
O caso envolvendo o Banco Master e o escritório da família Moraes, com um contrato de R$ 129 milhões, marca, segundo o jornalista, o terceiro ato macabro dessa história. Pela primeira vez, parte da imprensa passou a enxergar ilegalidades e imoralidades na atuação de Alexandre de Moraes.
O mesmo ministro que antes era intocável agora se tornou incômodo. E a pergunta que surge é inevitável: por que só agora?
Moraes não serve mais?
A coluna levanta os questionamentos trazidos pelo jornalista: estaria Alexandre de Moraes sendo descartado pelo próprio sistema que o protegeu? O ataque atual serviria para abrir espaço político no Supremo? Há interesses envolvendo o governo, o Congresso, pressões internacionais ou disputas internas pelo poder?
Nada disso é afirmado como fato. Mas o que chama atenção é a mudança repentina de postura de veículos que, durante anos, fecharam os olhos para perseguições, censura e abusos contra jornalistas, parlamentares e cidadãos comuns.
Código de Conduta não substitui Constituição
Outro ponto central da análise é a tentativa de empurrar um Código de Conduta do STF como solução moral. Para o jornalista, isso é um desvio perigoso: quando a Constituição é ignorada, nenhum código acessório pode corrigir o problema.
Quem só agora passou a “cobrar explicações” não está sendo atacado injustamente. Está sendo confrontado por sua própria omissão passada.
Uma imprensa que desistiu de informar
A conclusão é dura: não se trata de jornalismo, mas de conveniência. A imprensa que hoje critica Moraes é a mesma que ontem justificava abusos. O problema não é a crítica tardia — é o silêncio cúmplice que a precedeu.
Nota da Redação
Esta coluna reproduz análises, críticas e interpretações atribuídas exclusivamente ao jornalista citado no vídeo que acompanha a matéria.
A redação não emite juízo próprio sobre crimes, ilegalidades ou responsabilidades individuais.
O espaço permanece aberto para manifestação de todos os citados, em respeito ao contraditório e à ampla defesa.

Muito bom trabalho jornalístico!