qua. fev 4th, 2026

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (11) que seu país “conseguirá a Groenlândia de um jeito ou de outro”, reiterando uma postura agressiva sobre um território estratégico no Ártico que hoje faz parte do Reino da Dinamarca e tem estatuto semiautônomo. A declaração ocorre em um contexto de crescentes tensões globais, envolvendo rivalidades com Rússia e China, preocupações com o Irã e negociações em curso com países latino-americanos.



Durante conversa com repórteres, Trump disse que os Estados Unidos “tomarão a Groenlândia” com o objetivo de impedir que potências estrangeiras como a Rússia ou a China ganhem uma posição dominante no gigante território ártico. “Se não tomarmos a Groenlândia, a Rússia ou a China o farão, e eu não vou deixar isso acontecer”, afirmou o presidente, sem detalhar métodos específicos para alcançar esse objetivo. (TASS)

A ilha — rica em minerais estratégicos e com localização geográfica crucial entre Norte da América e Europa — tem sido alvo de discussões políticas intensas nos últimos meses. Trump já explorou no passado a ideia de adquirir o território e renovou essa retórica em meio a um discurso beligerante sobre segurança global e supremacia geopolítica dos EUA. (Reuters)

O plano americano, no entanto, enfrenta sólido repúdio da Dinamarca e da própria Groenlândia. Diplomatas nórdicos e autoridades locais rejeitaram as alegações de Trump de que Rússia ou China possuem presença naval significativa ao redor da ilha, classificando-as como infundadas e politicamente motivadas. De acordo com representantes dos países escandinavos, rastreamentos marítimos não mostram presença militar relevante de potências estrangeiras ao redor da Groenlândia. (Reuters)



As repercussões diplomáticas dessa postura já são visíveis. A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, advertiu que um ataque americano contra um território sob soberania dinamarquesa que também é parte da OTAN seria “o fim de tudo” para a aliança transatlântica, ressaltando que os EUA e a Dinamarca são aliados históricos dentro da aliança militar. (Agência Brasil)

Trump também aproveitou a coletiva para ampliar sua retórica geopolítica além do Ártico. O presidente afirmou que, caso o Irã ataque qualquer instalação norte-americana, os Estados Unidos irão retaliar com uma “força jamais vista”, numa clara intensificação do tom contra Teerã. Embora não tenha especificado o que isso significaria em termos operacionais, a ameaça ocorre em meio a um período de tensões renovadas entre Washington e o governo iraniano.

Em outra frente diplomática, Trump disse que seu governo está em contato com autoridades em Havana, capital de Cuba — embora detalhes sobre o teor dessas conversas não tenham sido divulgados. A Casa Branca tem reiterado interesse em redefinir relações com o Caribe e a América Latina como parte de sua estratégia hemisférica.

Sobre a situação na Venezuela, Trump não descartou um encontro com a presidenta interina Delcy Rodríguez, figura central na liderança atual depois da recente operação militar dos EUA que resultou na captura do ex-presidente Nicolás Maduro. Embora as relações entre Washington e Caracas estejam em níveis históricos de tensão — com acusações mútuas e intervenções — a possibilidade de um encontro sugere que Washington considera negociações como parte de sua estratégia diplomática. (The Atlantic)

Analistas internacionais observam que a combinação de ameaças abertas e negociações potenciais reflete uma postura cada vez mais assertiva dos Estados Unidos no cenário global, algo que já provoca reações adversas em parceiros tradicionais e rivais geopolíticos. Especialistas europeus também reforçam que a intenção de anexar ou dominar a Groenlândia unilateralmente pode representar um desafio significativo às normas internacionais e à coesão das alianças existentes. (Financial Times)

Enquanto isso, representantes do governo americano afirmam que abordagens diplomáticas para a Groenlândia continuam na mesa, incluindo propostas para aumentar a cooperação econômica e estratégica com daneses e groenlandeses — embora a retórica de Trump adiciona incerteza às negociações.

A comunidade internacional agora observa atentamente como essas declarações e movimentos diplomáticos podem alterar o equilíbrio geopolítico em regiões tão distintas quanto o Árctico e a América Latina, num momento em que rivalidades entre grandes potências estão se intensificando em múltiplas frentes.

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By VIDALL

Diretor do portal de notícias Lobo News Information Brasil, é jornalista (reg. MTb), ator profissional (SATED), produtor e diretor do documentário “SOS Homem do Mar” (2011). Atua na interseção entre jornalismo, arte e produção de conteúdo com viés autoral e social.

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