Parlamentares iniciam boicote à Havaianas após campanha com Fernanda Torres. Entenda a guerra cultural, a reação política e o impacto no mercado.
🟨 A TV NÃO MOSTRA
O que começou como uma campanha publicitária aparentemente banal transformou-se em mais um capítulo da chamada guerra cultural no Brasil. A marca Havaianas, símbolo histórico do cotidiano brasileiro, entrou no centro de uma controvérsia política após associar sua imagem a uma atriz que, dias antes, havia participado de manifestações públicas defendendo o discurso do “sem anistia”.
A reação foi imediata. Parlamentares, influenciadores e eleitores passaram a declarar boicote à marca, gravando vídeos em que jogam os chinelos fora e questionam o uso político de empresas privadas alinhadas ao governo Lula. A polêmica ganhou força quando veio à tona a ligação do CEO da empresa com o chamado “Conselhão” do governo federal.

🔎 Guerra cultural ou exagero?
Segundo o advogado e professor de Direito André Marsiglia, a reação da direita não deve ser analisada como algo isolado ou irracional. Para ele, o domínio ideológico não se constrói apenas no campo político, mas principalmente na cultura.
Marsiglia argumenta que a esquerda brasileira consolidou sua influência muito antes de chegar ao poder institucional, ocupando espaços como universidades, ONGs, mídia, artes e publicidade. Quando finalmente assumiu o comando do Estado, já possuía uma base cultural sólida para sustentar seu discurso.
Nesse contexto, o enfrentamento a marcas passa a ser visto como estratégia. Segundo o jurista, quando uma empresa percebe que seu posicionamento ideológico gera rejeição em parte expressiva do público consumidor, ela tende a recuar — e esse recuo tem efeito pedagógico no mercado.
🧠 Cultura antes da política
Ainda segundo Marsiglia, a direita errou no passado ao acreditar que bastava vencer eleições. O governo Bolsonaro, por exemplo, teria sido alvo constante de universidades, imprensa e ONGs justamente por não possuir respaldo cultural.
A guerra contra marcas, portanto, surge como tentativa de ocupar esse espaço simbólico. Para ele, não se trata apenas de um boicote econômico, mas de uma mensagem: empresas que se posicionam politicamente também devem lidar com as consequências dessa escolha.

🩴 Havaianas no centro do furacão
Já o deputado Gustavo Gayer aponta que a crise envolvendo a Havaianas não é um episódio isolado, mas reflexo de uma indústria de marketing dominada por agendas ideológicas progressistas. Segundo ele, essas agências frequentemente impõem narrativas que não dialogam com o público real e acabam prejudicando as próprias empresas.
Gayer relembra casos internacionais e nacionais em que campanhas publicitárias ideológicas resultaram em quedas bruscas de vendas, citando exemplos como Volkswagen, Jaguar e Bud Light. No caso da Havaianas, o erro teria sido ainda mais grave, já que a marca domina cerca de 90% do mercado nacional de sandálias.

🎭 Fernanda Torres e o efeito dominó
A polêmica se intensificou quando a campanha passou a ser associada diretamente à atriz Fernanda Torres, citada por ter participado de atos políticos defendendo a manutenção de prisões e o discurso do “sem anistia”, além de ser beneficiária da Lei Rouanet.
Segundo Gayer, a presença da atriz não foi neutra. Para parte do público, a campanha foi interpretada como provocação direta, ainda mais em um cenário de alta rejeição ao governo federal e denúncias envolvendo o INSS, Banco Master e decisões do STF.
❌ Apagou ou não apagou?
Outro ponto que inflamou o debate foi a informação divulgada pela imprensa de que a Havaianas teria apagado a publicação. Segundo Gayer, isso não ocorreu. O conteúdo apenas foi retirado do feed principal, mas permanece ativo na plataforma, inclusive em colaboração com a atriz.
Fonte do vídeo | Extraído do Instagram/Havaianas para fins jornalísticos
Para críticos, a decisão demonstra que a empresa não recuou de fato, apenas tentou reduzir o dano reputacional enquanto mantém o posicionamento ideológico.
⚠️ Boicote como recado
Parlamentares passaram a gravar vídeos descartando os produtos da marca e incentivando o consumo de concorrentes. O gesto, simbólico ou não, reforça a mensagem central do movimento: empresas privadas que se alinham politicamente devem assumir o risco de perder mercado.
Segundo os críticos, não se trata apenas de um chinelo, mas de um recado direto ao setor empresarial sobre os limites entre publicidade, ideologia e respeito ao consumidor.
📣 Nota da Redação
Esta coluna reproduz falas, interpretações e análises exclusivamente atribuídas aos autores Gustavo Gayer e André Marsiglia citados nos áudios que acompanham a matéria.
A coluna não faz afirmações próprias e não imputa crimes ou irregularidades.
O espaço permanece aberto para manifestação de todos os envolvidos.

Como sempre excelente conteúdo do site!